Empatia - A essência para o desenvolvimento humano (parte 1/2)
“Compreensão empática é a [...]
capacidade de se imergir no mundo subjetivo do outro e de participar na sua
experiência, na extensão em que a comunicação verbal ou não verbal o permite. É
a capacidade de se colocar verdadeiramente no lugar do outro, de ver o mundo
como ele o vê.” – Carl Rogers
A empatia assume-se como um processo
fundamental para a total compreensão do ser humano e subsequente evolução
psicossocial de cada indivíduo. Nesta dinâmica, conseguimos assumir outras
perspetivas, construir laços baseados no profundo respeito e consideração pelo
outro, desenvolvendo-nos também enquanto seres humanos em constante interação
existencial com o mundo que nos rodeia.
Etimologicamente,
empatia é uma palavra que deriva do grego ‘empatheia’, com
o significado inerente de ‘paixão’, ‘entrar na emoção’, sendo que a nível histórico se presume que o termo foi utilizado
pela primeira vez no início do século
XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), "para indicar a relação entre o artista e o
espectador que projeta a si mesmo na obra de arte”.
No âmbito da Psicologia, o conceito de empatia surge associado ao prestigiado psicólogo
norte-americano Carl Rogers (1902-1987), que, através da Terapia Centrada no
Cliente, desenvolvida na corrente da Psicologia Humanista, e que
posteriormente foi designada por Abordagem
Centrada na Pessoa, trouxe uma nova leitura para a consideração da
estrutura dos processos de intervenção psicológica e do desenvolvimento humano.
Este especialista demonstrou cientificamente que uma atitude de aceitação
incondicional, uma postura empática, em congruência com o profissionalismo e com
a própria personalidade do terapeuta, conduzem a resultados efetivos para a
saúde mental. Assim, emerge desta abordagem o papel fulcral que a empatia tem nas
relações humanas, sendo traduzida pela autêntica vontade de compreender o
outro, ajudando-o a conhecer-se, a aceitar-se e a perspetivar-se enquanto ser
com potencial de desenvolvimento.
Note-se que a investigação e prática
profissional de Carl Rogers permitiu retirar o caráter de enfermidade patente na
maioria dos processos de psicoterapia, pois a sua experiência indicou que todo
o ser humano tende para o bem-estar e para a saúde, contrariando a
generalização instituída até então de que todos os indivíduos têm um núcleo de
personalidade baseado na neurose e na desordem. Simultaneamente, a sua atitude
genuinamente empática, também o levou a desconstruir a ‘superioridade’ que
estava vinculada ao terapeuta, concedendo valor e mérito ao cliente ao
reconhecer que é o próprio que é capaz de encontrar a sua cura, através da
relação de confiança que se estabelece ao longo deste acompanhamento, e que o apoia
a desconstruir obstáculos, a superar bloqueios e a encontrar novos caminhos
mais possibilitadores para a sua vida.
Desta forma, a capacidade de nos colocarmos
no lugar do cliente/outro, de apreendermos a realidade como ele a apresenta,
como se estivéssemos mesmo a ver através dos seus olhos, a ouvir o que ele
relata e a sentir o que ele sente, ou seja, a empatia, promove uma relação de confiança, abertura e conhecimento
entre nós e o outro, entre o profissional e o cliente. Por conseguinte, constitui-se
como o pilar fundamental para qualquer processo de interação humana, no âmago
de que ao sentir-se verdadeiramente compreendido e totalmente aceite (sem
juízos de valor), a pessoa fica disponível para se autoconhecer, refletir,
encontrar as suas próprias respostas, criar as melhores estratégias para a sua
vida e agir no sentido de alcançar o que pretende para si. Como referiu Carl
Rogers “quando me aceito como sou, posso
então mudar”.
Helga Gonçalves
Psicóloga, Coach Certificada e Facilitadora de Cura Reconectiva
Bibliografia: Rogers, Carl (1974). A terapia centrada no paciente. Lisboa: Moraes Editores; tradução Manuel do Carmo Ferreira.

Comentários
Enviar um comentário